
Já completo quase uma semana de regresso da Alemanha e só agora os sentimentos começam a decantar. Ficam na superfície as noites más dormidas nos trens e outros pequenos detalhes enquanto são filtradas para o fundo do coração toda uma gama de emoções.
É diferente esperar por algo que a gente sabe que será especial. Antes da copa, já tinha a plena noção que os momentos que eu estava por viver me acompanhariam até o fim dos meus dias. É uma responsabilidade imensa: tudo tem que dar certo! Mais ou menos como se a cada momento eu fosse o Ronaldinho Gaúcho da minha vida, e o universo esperasse um lance de efeito cada vez que a bola viesse aos meus pés, afinal, eu estava na Copa!
E, apesar da pressão, foi assim. Golaço atrás de golaço. Sorrisos, gols, abraços, amizades, carinhos, alegria... E claro, o gostinho de poder compartilhar isso aqui, com tantos amigos. Nem todo mundo entendeu as brincadeiras das loirinhas e das cervejas e me viram como um homem futeboliticus trogloditos, estilo comercial de TV, mas a verdade é que muito mais que loirinhas, cervejas e futebol, a copa foi um momento único. Um momento de encontro com o mundo e com um dos meus sonhos de criança.
A mesma criança que viu, no sofá de casa, o Zico perder o penalti contra a França em 86, estava ali no estádio. O Zico agora do outro lado. Era a mesma criança que sofria, que gritava, que sonhava com gols e com abraços. Era a mesma criança que queria apenas ser feliz, apenas ganhar aquele jogo... Oh, aqueles 90 minutos mágicos em que nada mais na vida importa e a gente pode ir onde quiser, ser novamente aquela criança, com os mesmos sentimentos e os mesmos sonhos.
Já completo quase uma semana de regresso da Alemanha, mas a criança continua viva dentro de mim. Essa criança reacendida que ainda chora a derrota de 86 pede passagem e quer revanche. E diz que veio pra ficar!